Fazendo História
 

Maria Cecília Medeiros de Farias Kother * 

     A História do Rio Grande do Sul está fundamentada, desde os seus primórdios, na pecuária (criação de bovinos e equinos) e na agricultura. Nessa composição que se expandia, nosso Estado foi sendo construído se desenvolvendo sem se afastar das lides da terra, chegando a ocupar, hoje, lugar de destaque na economia nacional.
     Essa construção histórica descende de inúmeras famílias que moravam em fazendas e faziam delas seu meio de vida mediante atividades do campo, como a criação de animais e o cultivo da terra. É uma historia linda, de muito trabalho, de renúncia e, acima de tudo, de muita perseverança. Foi a cultura da vida no campo que moldou o caráter de grandes e ilustres personalidades que brilharam nos cenários rio-grandense e brasileiro.
     No rol de descendentes dessas famílias que, pelo trabalho, ajudaram a construir e a fundamentar nossas raízes estão inúmeras pessoas que vivem neste Estado, dentre as quais me incluo.
Nascida no interior do Estado, mais precisamente em São Lourenço das Missões, distrito de São Luiz Gonzaga, preservo a marca e a herança dos meus antepassados pelo lado paterno. Meu pai, que era filho de um homem ligado às atividades do campo, na Região do 4º Distrito de Santo Ângelo, continuou nessa mesma labuta e nos deixou esse legado gaúcho de amor e dedicação à terra e aos trabalhos que a ela estão relacionados.
     A vida no campo marca as pessoas com características próprias e especiais. Nesse sentido, sinto-me ligada à força e ao desdobramento do sentimento telúrico que a terra permite e imprime.
Por isso, sinto-me honrada em poder usar este importante espaço e me dirigir às pessoas da região que o Jornal Rural cobre, as quais, assim como eu, entendem as nuances da vida no campo e tiram dele os seus ensinamentos.
     A relação homem/terra/trabalho, independentemente de ser pecuária ou agricultura, designada, hoje, como agronegócio, teve e tem um sentido especial e forte na formação das pessoas que vivem no campo, as quais, ao formatarem suas histórias, preservam e transmitem entre gerações os ensinamentos da sua cultura, sem, contudo, macular as tradições na busca do novo saber para suas atividades.
É o contato estreito e contínuo com a natureza (a visão que ultrapassa terras "povoadas" por animais ou de lavouras cultivadas, descortinadas no horizonte longínquo, a noite com o céu estrelado como um manto que encobre a terra) que dá a essas pessoas, ao amanhecer de cada novo dia, a fortaleza da fé e da esperança que as estimulam a trabalhar e a viver em suas terras. 

* Diretora do Instituto MC de Educação Social

Artigo para o Jornal Rural - Itaqui/RS - Novembro de 2009